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Na Venezuela de Nicolás Maduro, já é Natal - ZAP

Nicolás Maduro / Twitter

Como já vem sendo habitual desde que Nicolás Maduro substituiu Hugo Chávez na presidência da Venezuela, em 2013, as festas de Natal prolongam-se durante cerca dois meses, entre 1 de novembro e 6 de janeiro.

O presidente venezuelano voltou a decretar, no final da semana passada, que as celebrações natalícias na começassem em novembro. De acordo com o jornal espanhol El País, na sexta-feira, o primeiro dia do mês de novembro, Nicolás Maduro terá acendido uma cruz no monte Ávila de Caracas, que há mais de 50 anos é acesa a 1 de dezembro e iluminou com luzes amarelas, azuis e vermelhas, as cores da bandeira venezuelana, o Hotel Humboldt.

Para além do pagamento antecipado dos subsídios de Natal, Maduro anunciou a compra de 13.500 toneladas de pernil, no valor de 11 milhões de euros. “Vou aprová-los imediatamente para garantir ao povo em dezembro os seus pernis. Aprovado para avançar!”, reiterou Maduro, reconhecendo que noutros anos a mercadoria não chegou a tempo da ceia de Natal ou foi insuficiente.

Em 2017, Maduro chegou mesmo a acusar Portugal de ter “sabotado” o Natal aos venezuelanos por não entregue o produto a tempo. Na verdade, o não fornecimento deveu-se a pagamentos em atraso.

“Ninguém nos irá tirar a alegria e a paz. Ninguém nos irá tirar a determinação de manter a paz. Serão dois meses de alegria para as crianças. Em 2020 vamos florescer, e não é porque me chamo Cilia Flores, é sim porque temos um povo e um presidente firme para dar felicidade a todos os lares”, disse a esposa do líder chavista no anúncio de abertura das festividades.

“Serão dois meses de festa, de bailes, de canções de Natal e de uma profunda espiritualidade. Viva a Alegria e a União da Venezuela!”, acrescentou Maduro no Twitter.

Iniciamos las navidades 2019 con un pueblo victorioso, que tiene derecho a la Paz y a la felicidad. Serán dos meses de gaitas, bailes, villancicos y de una profunda espiritualidad. ¡Viva la Alegría y la Unión de Venezuela! pic.twitter.com/SbSlGoYnY5

— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) November 2, 2019

A exuberância das celebrações contrasta com um país desolado por uma grave crise económica, mergulhado numa hiperinflação que dura há 24 meses, assolado pela tensão política e pelo êxodo de mais de quatro milhões de venezuelanos, depois de Maduro ter tomado posse, em janeiro, para um segundo mandato assombrado pelas acusações de um processo eleitoral fraudulento.

Embora tenha sido depositado nas contas dos funcionários públicos o subsídio de Natal e outros subsídios em atraso, os bolívares que chegam de presente são pouco quando comparados com os 35% de contração económica (recessão) esperada para o final do ano.

Para grande parte dos venezuelanos este será um natal com pouco brilho, num país em que falta água, eletricidade, gasolina ou gás para cozinhar para a família.

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